quinta-feira, 27 de julho de 2017

Luana Perrusi - Histórias Raras

O Histórias Raras deste mês está especial: trouxe minha história contada por minha mamis. 
Escolhi contar nossa história em Julho pois ambas fazemos aniversário neste mês. 🎈😍Ela dia 5, e eu 20 dias após 😍 Conheçam um pouco mais de Luana Perrusi, 25 anos:

"Falar da historia de vida de Luana, a palavra que me vem logo em mente, é sem dúvida nenhuma: SUPERAÇÃO
Quando engravidei de Luana, não tive a alegria pertinente a toda mãe que espera o seu primeiro filho.
É muito triste verbalizar isso, mas é a verdade, verdade esta que nunca fugi dela, porque infelizmente ela era real.
Ao mesmo tempo que engravidei, escutei do médico: seu pai só tem 3 meses de vida. Sim isso mesmo, aos 58 anos de idade meu pai, cheio de vida e de planos, com um desejo infinito de realizar seu grande sonho da aposentadoria e ver seus netos correrem na casa que passou 6 anos pra construir. Sim, meu pai iria morrer, vítima de um câncer agressivo de pulmão, que apareceu silenciosamente em sua vida e o levaria rapidamente, conforme os entendimentos dos médicos.
Naquele momento, os sentimentos eram adversos dentro de mim, norteava a felicidade, a tristeza, decepção por Deus está me dando trocas (porque naquele momento não conseguia enxergar diferente, a não ser uma troca, onde Deus levaria meu pai e me daria um filho)
Foram praticamente 7 meses de muitas lágrimas e uma profunda tristeza. Nada de momentos de alegria organizando enxoval de bebê ou comprando o quarto, ou todas as outras coisas pertinentes a quem está esperando seu primeiro filho.
Passado os 9 meses, chegou o grande dia! Luana, luz da lua (significado do seu nome) estava chegando.
Um parto sofrido, traumático, cheio de dores. Ao nascimento de Luana, vieram as incertezas.
Não tive a alegria de ter minha filha em meus braços no ato do seu nascimento, pois não havia tempo pra isso, afinal Luana, teve uma anoxia e perdera 75% por cento do seu oxigênio e tinha pressa para sobreviver a tudo aquilo que estávamos vivendo na sala fria de cirurgia.
Passei 3 dias para encontrar e ver o rosto e tudo que compunha a minha bebê. Junto a essa ausência, vieram muitas conversas incertas do que aconteceria no futuro com Luana. Nada era concreto.
No 3o dia após o nascimento de Luana fui finalmente conhecer a minha filha na UTI do hospital.
Estava ali Luana, mais uma vez se mostrando pra que veio ao mundo, sim pra se erguer e brilhar, mesmo diante de tantas adversidades.

Encontrei naquele leito frio da UTI um bebê todo deformado diante do que sofreu no parto, cheia de aparelhos, com momentos que oscilavam entre o susto e ficar estática.
Vários sentimentos me nortearam naquele momento: culpa, raiva e muita tristeza em vê-la naquele estado. Um misto de sentimentos doloridos.
Chegou finalmente o dia tão esperado, Luana teve alta e voltamos pra casa e mesmo nas visitas ao pediatra mediante as minhas indagações que algo havia de diferente na minha bebê, o que escutava do medico era que cada criança tinha seu desenvolvimento próprio.
Mas como sempre fui uma pessoa de não desistir do que acredito, aos 8 meses levamos Luana a uma fisioterapeuta e dali em diante percebi que por um erro médico a vida da minha filha não seria nada fácil.
Por um instante achei que o maior obstáculo a ser enfrentado seria ter a certeza que minha filha nunca usaria uma sandália da barbie e sim uma bota com tutor e calhas ortopédicas.
Mero engano, ali começamos a batalha de vida de Luana pela coquista de seus espaços numa sociedade que muitas vezes se mostrava cruel.
Começamos a corrida contra o tempo e com ela todas as possibilidade de proporcionar uma qualidade de vida a minha "mamãe cheirosa" ou Lua bela (pois era assim q eu a chamava) ou anjinho barroco como carinhosamente meu pai a chamava, pois ele viria a falecer 5 dias após Luana completar 1 ano de idade.
Durante longos anos o lugar mais permanente de nossas vidas foram as clínicas de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, neurologia psicologa, e tudo que fosse pertinente pra melhorar e estimular Luana.
Ao longo da vida de Luana, por inúmeras vezes precisei ir a escola ou em qualquer lugar onde o brilho dela fosse ofuscado e eu precisasse lutar pra garantir o seu lugar ao sol.
Todos os dias era uma batalha diferente a ser travada, desde os olhos de curiosidade sobre uma criança que aos olhos das pessoas tinha algo diferente. Coitada dessas pessoas, não conseguiam enxergar a essência da alma do ser humano.
Por muitos anos nossa outra joia rara, meu filho Iago foi cortado de viver sua infancia pois precisava acompanhar Luana em seus tratamentos e nas salas de espera dos consultórios se alimentava, brincava, dormia, e por isso tiro o meu chapéu pra ele e serei eternamente grata pelo seu amor a irmã, e por me compreender quando nas inumeras vezes precisei me ausentar pra estar com Luana. Digo com toda convicção que cada conquista de Luana é devida a Iago também, pois sem sem sua compreensão tudo seria mais difícil de ser realizado.
Muito eu teria pra relatar aqui, nossas derrotas, mas também muitas conquistas, a história é longa, às vezes dolorida, mas também cheia de muitos êxitos.
O resto da história vou deixar que Luana relate, afinal são conquistas da sua vida.
O que posso dá como desfecho deste meu relato diante das várias batalhas que travamos juntas, é que Luana é sim, uma joia rara, não por ter uma síndrome rara, mas sim por ser uma menina cheia de luz, de ter uma áurea iluminada, que não precisa falar muita coisa porque seu lindo e largo sorriso já fala por si só .
Hoje aos 25 anos de vida de Luana, sou eternamente grata a Deus por ter me dado a oportunidade de aprender tanto com ela e Iago, de me dá a chance de exercitar o verdadeiro amor sem cobranças para que tudo seja perfeito, por me dá a oportunidade de saber esperar Nele e em tudo que Ele nos oferta, sem pressa e apenas confiando. E ter a certeza que juntas e misturadas Luana ainda vai ter belas conquistas em sua vida."

Quer compartilhar sua história conosco? Me escreve: luanaperrusiarara@gmail.com

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